terça-feira, 15 de maio de 2007

Aguirre, a Cólera dos Deuses

Aguirre, der Zorn Gottes / de Werner Herzog / EUA / 1977

Com: Klaus Kinski, Cecilia Rivera, Ruy Guerra, Helena Rojo, Del Negro, Peter Berling, Daniel Zacapa.

Algumas décadas após a destruição do Império Inca, o explorador Gonzalo Pizarro envia uma expedição para uma arriscada missão, encontrar e tomar posse do tão sonhado e enigmático "El Dorado", um lugar cheio de ouro e riqueza. Deixando as montanhas do Peru, os conquistadores rumam em direção ao rio Amazonas, e logo começam a enfrentar os perigos e dificuldades da traiçoeira selva. Além disso, obcecado e louco por riqueza e poder, Don Lope de Aguirre (Klaus Kinski) passa a liderar o grupo. E, em meio a sua total insanidade, parte com a expedição de conquistadores para uma bizarra jornada rumo ao desconhecido.

O que esperar de um filme feito no meio da Amazônia, com os mínimos recursos e somente com uma câmera na mão? Se esse filme for de Werner Herzog pode esperar tudo. Aguirre é resumidamente um mistura interminável de sentimentos, o que em muito é devida a atuação sempre no limite de Klaus Kinski, que com seu olhar e atitudes sempre à beira da loucura conduz o filme à uma jornada ao desconhecido, para acima de tudo saciar sua ganância.
Desde a magnífica abertura sem cortes, que consegue mostrar as montanhas peruanas de um modo assustador, até o solitário e intenso final, o diretor mostra como se faz um filme grandioso em meio ao caos.

*Obs: O filme conta no elenco com a participação do cineastra brasileiro Ruy Guerra.
Avaliação:

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Os Últimos Passos de Um Homem

Dead Man Walking / de Tim Robbins / EUA / 1995
Com: Susan Sarandon (Freira Helen Prejean), Sean Penn (Matthew Poncelet), Robert Prosky (Hilton Barber), Raymond J. Barry (Earl Delacroix), R. Lee Ermey (Clyde Percy), Celia Weston (Mary Beth Percy), Lois Smith (Mãe de Helen), Scott Wilson (Chaplain Farley), Roberta Maxwell (Lucille Poncelet), Margo Martindale (Freira Colleen), Barton Heyman (Capitão Beliveau), Steve Boles (Sargento Neal Trapp), Nesbitt Blaisdell (Warden Hartman), Ray Aranha (Luis Montoya), Jack Black (Craig Poncelet), Jon Abrahams (Sonny Poncelet), Helen Prejean, Peter Sarsgaard.

Em Louisiana, uma freira católica (Susan Sarandon) passa a ser a guia espiritual e a lutar pela vida de um homem (Sean Penn) que espera ser executado a qualquer momento, por ter assassinado dois adolescentes, sendo que uma das vítimas foi uma jovem que foi estuprada antes de morrer.

Um de meus atores preferidos, Tim Robbins, se sai muito bem na direção desse drama. Ele conduz o filme muito bem e consegue expor os dois lados de um crime terrível. Primeiro o drama irreparável das famílias das vítimas que querem o mínimo de justiça, mesmo que isso não amenize a dor da perda. Do outro lado está o acusado, que também tem seus medos, remorsos e culpas. E a partir do momento que Robbins não toma partido de nenhum lado, apenas os expõem em suas diversas faces, o filme ganha muito crédito.
As atuações de Susan Sarandon e Sean Penn dão toda a vida ao filme. Pra mim esta e uma das melhores interpretações dela, o que baseado em sua bela carreira não é pouco. Ele não fica atrás consegue passar todo o tormento pelo qual seu personagem vive, de alguém que passa de um simples ser humano para um monstro abominado pela maioria.
Os Últimos Passos de Um Homem consegue fazer no mínimo refletir sob a pena de morte, com uma seqüência final de arrepiar. Emocionante.
Avaliação:

Filmes de abril/2007

1- Mestre das Armas; O (Huo Yuan Jia aka "Fearless" / Ronny Yu / 2006)
2- Adrenalina (Crank / Mark Neveldine, Brian Taylor / 2006)
3- Gigolô Europeu por Acidente (Deuce Bigalow: European Gigolo / Mike Bigelow / 2005)
4- Tira no Jardim de Infância; Um (Kindergarten Cop / Ivan Reitman / 1990)
5- Battle Royale 2 (Batoru rowaiaru II: Chinkonka / Kenta Fukasaku, Kinji Fukasaku / 2003)
6- Piratas do Caribe - O Baú da Morte (Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest / Gore Verbinski / 2006)
7- Ilusionista; O (The Illusionist / Neil Burger / 2006)
8- Mão do Diabo; A (Frailty / Bill Paxton / 2001)
9- Napoleão Dynamite (Napoleon Dynamite / Jared Hess / 2004)
10- 88 Minutos (88 Minutes / Jon Avnet / 2007)
11- 15 Minutos (15 Minutes / John Herzfeld / 2001)
12- Dia de Treinamento (Training Day / Antoine Fuqua / 2001)
13- Operação França (French Connection / William Friedkin / 1971)
14- Perfume - A História de um Assassino (Perfume: The Story of a Murderer / Tom Tykwer / 2006)
15- Aprovados (Accepted / Steve Pink / 2006)
16- Névoa; A (The Fog / Rupert Wainwright / 2005)
17- Obrigado Por Fumar (Thank You for Smoking / Jason Reitman / 2006)
18- Escola de Rock (School of Rock / Richard Linklater / 2003)
19- Fonte da Vida; A (The Fountain / Darren Aronofsky / 2006)
20- Segredo dos Animais; O (Barnyard / Steve Oedekerk / 2006)
21- Grande Truque; O (The Prestige / Christopher Nolan / 2006)
22- Rambo - Programado Para Matar (First Blood / Ted Kotcheff / 1982)
23- Sexta-Feira Muito Louca (Freaky Friday / Mark S. Waters / 2003)
24- 11:14 (11:14 / Greg Marcks / 2003)

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Nascido Para Matar

Full Metal Jacket / Stanley Kubrick / 1987
Matthew Modine (Recruta Joker / Narrador), Adam Baldwin (Animal Mother), Vincent D'Onofrio (Recruta Gomer Pyle), R. Lee Ermey (Sargento Hartman), Dorian Harewood (Recruta Eightball), Arliss Howard (Recruta Cowboy), Kevyn Major Howard (Recruta Rafterman), Ed O'Ross (Tenente Walter J. "Touchdown" Tinoshky), John Terry (Tenente Lockhart), Kieron Kecchinis (Crazy Earl), Kirk Taylor (Recruta Payback), Jon Stafford (Doc Jay), Ian Tyler (Tenente Cleves).

Um sargento (R. Lee Ermey) treina de forma fanática e sádica os recrutas em uma base de treinamentos, na intenção de transformá-los em máquinas de guerra para combater na Guerra do Vietnã. Após serem transformados em fuzileiros navais, eles são enviados para a guerra quando lá chegam se deparam com seus horrores.

Eu me redimi de um grande pecado cinematográfico. Full Metal Jacket é entre outras coisas uma crítica à guerra. Kubrick não faz rodeios para isso, ele ataca sem piedade mas com muito bom humor. O filme pode ser dividido em duas partes: o treinamento e o combate. Muito distintas entre si, uma não seria nada sem a outra.
A primeira parte mostra o rigoroso e humilhante treinamento a que são submetidos os recrutas, sendo realizada com muito humor e algumas passagens inesquecíveis, como quando os jovens fazem antes de dormir uma oração aos seus fuzis. Mas no momento certo Kubrick emprega como ninguém uma tensão fodaça ao filme, como na cena do banheiro onde um personagem parece estar literalmente possuído.
A seguir vemos os soldados indo ao combate. E ao contrário do que muitos dizem, não acho que o filme perde o ritmo na segunda parte. Agora até mais do que na primeira metade, Kubrick usa toda a sua genialidade para cutucar o olho do Tio Sam. Como nas entrevistas que os soldados dão para os jornalistas que estão fazendo um documentário, ou ainda a tirada de um determinado soldado que diz -Acorda cara. Isso aqui é uma chacina. E para embalar tudo isso fui surpreendido com uma trilha sonora repleta de clássicos.
Não é o melhor do mestre, mas com certeza é um legítimo Kubrick. E isso é melhor que a maioria das porcarias de guerra que tem por ai.
Avaliação:

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Dança Comigo?

Shall We Dance? / Peter Chelsom / 2004

Com: Richard Gere (John Clark), Jennifer Lopez (Paulina), Susan Sarandon (Beverly Clark), Stanley Tucci (Link Peterson), Bobby Cannavale (Chic), Lisa Ann Walter (Bobbie), Omar Benson Miller (Vern), Anita Gillette (Srta. Mitzi), Richard Jenkins (Devine), Nick Cannon (Scottie), Onalee Ames (Diane), Tamara Hope (Jenna Clark), Diana Salvatore (Tina), David Sparrow (Louis).

Um homem entediado se inscreve em um curso de dança de salão, após se encantar com uma professora de dança.

Filminho perigoso para quem é diabético. Tem algumas passagens engraçadas, mas no geral é bem bobinho. O galã de meia idade Richard Gere ainda mostra que tem certo carisma. Susan Sarandon é a melhor coisa do filme, rouba todas as cenas que aparece, mas sinceramente não merecia estar num mesmo projeto que uma tal de Jennifer Lopez. Na verdade os produtores do filme deveriam colocar uma porta pintada com um rosto triste no lugar da “atriz” (?????) latina, seria mais competente e muito mais barato.
Avaliação:

O Fantasma de Lucy Keyes

The Legend of Lucy Keyes / John Stimpson / 2006

Com: Julie Delpy (Jeanne Cooley), Justin Theroux (Guy Cooley), Brooke Adams (Samantha Porter), Mark Boone Jr. (Jonas Dodd), Cassidy Hinkle (Lucy Cooley), Kathleen Regan (Molly Cooley), Ken Cheeseman (Bud Travers), Michele Greene (Sheila Travers), Jamie Donnelly (Gretchen Caswell), Tom Kemp (Chefe Kemper), Charley Broderick (Bob Greenwood), Frank T. Wells (Gus Jasper), Rachel Harker (Martha Keyes), Anna Friedman (Lucy Keyes), Jillian Wheeler (Anna Keyes).

Uma família muda para uma casa aos pés de uma montanha, mas tem sua tranquilidade abalada devido ao fantasma de uma mãe, que procura por sua filha desaparecida há 250 anos.

Filme locado sem saber absolutamente nada a respeito, apenas por trazer a exuberante Julie Delpy no elenco. Conta a história (baseado em fatos reais) de um casal que se muda para o campo com as duas filhas pequenas. Eles ficam sabendo de uma lenda local que diz que uma criança teria desaparecido na floresta há 250 anos e que o fantasma de sua mãe ainda a procura no local. A trama tenta criar expectativas de um grande e assustador desfecho, mas vai se desenrolando sem muita criatividade e as cenas de suspenses quase não causam impacto. Ainda tem o fato de não conseguir desenvolver bom nenhum personagem. O final que poderia trazer certa redenção é pra lá de fraco e sem nenhuma surpresa. Vale quase que só pela francesa.
Avaliação:

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Fonte da Vida

The Fountain / Darren Aronofsky / EUA / 2006
Com: Hugh Jackman (Tomas Creo), Rachel Weisz (Izzi), Marcello Bezina (Conquistador), Alexander Bisping (Del Toro), Ellen Burstyn (Lillian), Mark Margolis (Padre Avila), Cliff Curtis, Sean Gullette, Donna Murphy, Ethan Suplee, Sean Patrick Thomas.

Na Espanha do século 16, o navegador Tomas Creo parte para o Novo Mundo em busca da lendária árvore da vida. Nos tempos atuais a mulher do pesquisador Tommy Creo está morrendo de câncer, mas ele busca desesperadamente a cura que pode salvá-la. Uma terceira história une as duas primeiras: no século 26, o astronauta Tom finalmente consegue a resposta para as questões fundamentais da existência.

Fonte da Vida pode parecer um pouco cansativo e confuso para algumas pessoas, mas acima disso é um filme com uma beleza estética e um tom poético muito grande. As cenas que situadas no futuro, com o personagem de Hugh Jackman numa bolha viajando no espaço, são as mais belas do longa, compensando até uma certa descontinuidade na trama.
Quando se situa no presente, o pesquisador (outra vez Jackman) busca desesperadamente uma cura para um tumor da sua esposa (Rachel Weisz), o filme ganha uma forte carga emocional, mostrando todo o sofrimento dele diante da incapacidade de evitar um fim inevitável para a parceira. Já no passado, Weisz é a rainha da Espanha que convoca o Conquistador (Jackman) para encontrar a uma árvore que seria a fonte da juventude, para conseguir a vida eterna, já que está sendo ameaçada de morte pelo Inquisidor que pretende dominar todas as terras da região.
O desfecho talvez seja uma parte mais incomoda para muitos, pois não trás respostas muito claras, mas é de um lirismo fantástico, e pra mim comparado pelo final do também muito bom “Perfume”. E o melhor de tudo é que te faz pensar em muitas coisas, desde a origem e o final da vida, até o que por ventura vem depois.
Avaliação: